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Álcool e aposta esportiva: uma combinação perigosa

  • há 9 horas
  • 3 min de leitura


Em ano de Copa do Mundo, as apostas e bolões com os amigos despertam o interesse da população. Nos últimos anos, as apostas esportivas se tornaram amplamente acessíveis por meio de aplicativos e plataformas digitais, alcançando milhões de pessoas.


No entanto, evidências científicas vêm revelando que essa prática pode estar relacionada a padrões mais arriscados de consumo de álcool. Um estudo publicado no JAMA (periódico médico mais divulgado no mundo) investigou se adultos norte-americanos que apostam em esportes apresentam maior risco de consumo pesado episódico de álcool, o chamado binge drinking, em comparação com a população geral.


Estudo relaciona apostas esportivas e consumo excessivo de álcool


Segundo o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), pesquisa conduzida por Grubbs e Kraus (2024) analisou dados de 4.363 adultos residentes nos Estados Unidos, coletados entre março e abril de 2022.


A amostra incluiu uma parcela representativa da população geral e um grupo adicional de apostadores esportivos, o que permitiu comparações robustas entre quem aposta e quem não aposta.


O consumo excessivo de álcool foi avaliado por meio de um questionário (National Institute on Drug Abuse Quick Screen), que considera beber pesado episódico (BPE) o consumo de:


- Cinco ou mais doses em uma única ocasião para homens;

- Quatro ou mais doses em uma única ocasião para mulheres.


Perfil dos apostadores esportivos


Entre os participantes, 1.812 foram identificados como apostadores esportivos, e o perfil desse grupo chamou atenção:


- Eram predominantemente homens;

- Tinham idade média de 45,8 anos;

- Eram cerca de quatro anos mais jovens que a média geral da amostra.


Quanto à frequência do BPE, os apostadores esportivos apresentaram taxas desproporcionalmente mais altas de consumo excessivo mensal, semanal e até diário, ao passo que relataram com menor frequência a ausência total de BPE nos últimos 12 meses.


Mulheres e homens apresentaram maior risco de binge drinking


Um dos achados mais marcantes do estudo se refere à magnitude desta associação.


Nas análises de regressão logística, que controlaram variáveis como idade e raça/etnia:


- Mulheres que apostavam em esportes apresentaram uma chance cerca de 14 vezes maior de relatar binge drinking diário, em comparação com mulheres não apostadoras.

- Entre os homens, essa chance foi aproximadamente 9 vezes maior.


Mesmo para frequências menores, como semanal ou mensal, os apostadores esportivos de ambos os sexos mostraram chances significativamente elevadas em relação aos não apostadores, sugerindo que a associação entre apostas e consumo excessivo de álcool não se limita aos casos mais extremos.


A relação entre apostas esportivas e álcool parece ser específica


É importante destacar que esse padrão se manteve mesmo quando comparado ao grupo de apostadores de outras modalidades que não envolvem esportes, como caça-níqueis, roleta e loteria.


Ou seja, há algo específico nas apostas esportivas que parece estar ligado a um comportamento de consumo de álcool particularmente arriscado.


Pesquisas anteriores já haviam apontado que apostadores esportivos tendem a apresentar maior inclinação para comportamentos de risco de maneira geral, o que pode ajudar a explicar esse achado.


Limitações da pesquisa e necessidade de políticas públicas


Os próprios autores reconhecem algumas limitações do estudo:


- O desenho transversal não permite afirmar que as apostas causam consumo excessivo de álcool;

- O método de amostragem por painel online pode limitar a generalização dos resultados.


Ainda assim, os dados são consistentes com pesquisas anteriores demonstrando que apostadores esportivos relatam mais sintomas de transtorno por uso de álcool.


Diante da rápida expansão das apostas esportivas, impulsionada pela legalização em diversos estados norte-americanos e, mais recentemente, em países como o Brasil, esses resultados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas integradas.


Compreender como as novas tecnologias de apostas influenciam a prevalência e a apresentação de transtornos relacionados ao álcool é fundamental para proteger a saúde de populações cada vez mais expostas a esse duplo risco.


Você não precisa enfrentar isso sozinho


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