8 – Como evitar a recaída
- 31 de jul. de 2023
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Atualizado: 4 de out. de 2023

A recaída durante a recuperação faz parte da doença. A reincidência nas drogas não só é possível e previsível, como é bastante frequente.
Há quem passe por sete, oito ou mais recaídas, até encontrar a recuperação. Por isso, a sua ocorrência não deve assustar, ou levar à desistência, o dependente, ou sua família, seus amigos.
Identificar quais são os principais gatilhos que provocam a recaída, saber como evitar cada um deles, e qual deve ser a atitude adequada de seus apoiadores são questões-chave para a sobriedade.
AO IDENTIFICAR OS GATILHOS QUE PODEM LEVÁ-LO ÀS DROGAS, O DEPENDENTE TEM MAIS CONDIÇÕES DE EVITÁ-LOS.
Gatilhos para a recaída
Eles podem variar de pessoa a pessoa, mas de forma bem simples e genérica, podemos dividir em emoções negativas e positivas além de situações específicas.
Emoções negativas
Entre as negativas, é possível elencar algumas decorrentes da própria fragilidade a que o dependente está exposto no início de recuperação, em que a droga será usada como alívio ou válvula de escape:
– Crises de ansiedade, depressão, angústia, tristeza, raiva e solidão;
– Desorientação, perda de chão, sem direção para a nova vida;
– Falta de perspectiva, de projetos, de uma visão de futuro;
– Falta de apoio, de compreensão e acolhimento;
– Estresse vivido por problemas financeiros, conflitos familiares, perda de emprego, dificuldades cotidianas, ou ainda problemas de saúde;
– Perdas de pessoas, ruptura de relacionamentos, fracassos.
A FRAGILIDADE DO DEPENDENTE EM RECUPERAÇÃO O DEIXA EXPOSTO A EMOÇÕES NEGATIVAS
Emoções positivas
Por mais contraditório que possa parecer, emoções positivas e situações de felicidade podem igualmente criar armadilhas que levem à uma recaída.
Em todas elas, o dependente tende a se sentir poderoso e descuidar dos princípios básicos da recuperação, como manter a humildade, viver o dia de hoje, não ficar preso ao passado.
– Entusiasmo com a nova vida que o dependente passa a descobrir;
– Memória eufórica;
– Reconquista do poder financeiro;
– Excesso de confiança com uma posição social mais agradável;
– Segurança em demasia em relação às drogas
SENTIR-SE ACIMA DO BEM E DO MAL E PODEROSO EM RELAÇÃO ÀS DROGAS TAMBÉM É PERIGOSO PARA O DEPENDENTE
Situações específicas, memória das drogas
Estar em lugares de consumo de droga, ou em companhia de usuários, pode provocar lembranças e fortes desejos de uso, aumentando o risco de recaída.
– Frequência a ambientes associados ao uso de drogas, como bares, restaurantes, casas de amigos, ou até dentro de casa;
– Vivência de situações relacionadas ao uso de drogas, desencadeadas por simples objetos associados ao ritual de uso, ou por rotinas de horários e atividades que precediam o consumo de substâncias;
– Convivência com pessoas que usam drogas. Pela pressão social e influência delas, o dependente pode desenvolver a vontade de voltar às drogas;
– Festas, celebrações ou eventos sociais em que o uso de drogas pode ser comum;
– Pretensão de testar-se diante da droga.
MESMO QUE SE CONSIDERE UM SUPER-HOMEM OU SUPERMULHER, O DEPEDENTE NÃO DEVE SE TESTAR PARA VER SE CONSEGUE EXPERIMENTAR SEM VOLTAR A USAR A DROGA. A CHANCE DE DAR ERRADO É ENORME
O que fazer para não recair
Uma vez identificadas as razões que estimulam ou facilitam a sua recaída, o dependente tem meio caminho andado para evitar as possíveis cascas de banana em que pode escorregar.
Entre as estratégias para driblar a recaída, uma é buscar tudo aquilo que estimula a disposição para a nova vida, porque a vontade de usar droga sempre vai aparecer. É a vontade de mudar, de se recuperar contra a vontade de usar.
Como mudar de vida
– Ter projetos, ter planos;
– Fugir de caminhos que levam a velhos hábitos;
– Fugir das situações e locais de uso;
– Não frequentar o bar ou as festas que frequentava antes;
– Não se testar em relação ao seu controle e força em relação às drogas;
– Buscar apoio contínuo em grupos como Alcoólicos Anônimos (A.A.) ou Narcóticos Anônimos (NA) para suporte emocional, troca de experiências e encorajamento em situações difíceis;
– Procurar entender o seu momento emocional, que não é linear, alternando momentos de euforia com os de depressão ou de tristeza, independente da questão das drogas;
– Saber como lidar com esses momentos que no passado podem ter sido gatilhos para as drogas;
– Tentar ocupar-se com atividades saudáveis;
– Desenvolver estratégias para lidar com a tristeza, ansiedade, recorrendo, por exemplo, a técnicas de relaxamento, meditação, exercícios físicos, hobbies;
– Buscar apoio emocional de pessoas de confiança;
– Promover o próprio bem-estar, dormir o suficiente, alimentar-se bem, exercitar-se com regularidade, com rotina equilibrada que atenda suas necessidades;
– Transformar as recaídas em aprendizados, livres de culpa ou vergonha.
PARA DRIBLAR A RECAÍDA, O DEPENDENTE É BUSCAR TUDO AQUILO QUE ESTIMULA A DISPOSIÇÃO PARA SUA NOVA VIDA
Mão estendida na recaída
Quando um dependente recai, a reação mais comum da família ou amigo é de frustração, decepção, seguidas de recriminações e repreensões.
É como se todo esforço, empenho ou apoio escapassem pelo ralo. Não por acaso, muitos desistem pelo caminho, desistem do dependente, de apoiá-lo.
Ao entender a doença, fica evidente que é preciso evitar críticas negativas, julgamentos, culpar o dependente pela recaída. A conversa precisa ser aberta, honesta, sem confrontos.
O processo é complexo, mas o apoiador precisa estar ciente disso e que é fundamental o incentivo, o reconhecimento dos progressos obtidos e estímulos para o dependente seguir em tratamento.
Além disso, deve procurar também ajuda de profissionais para trilhar o caminho.
A RECAÍDA NÃO DEVE DESESTIMULAR NEM O DEPENDENTE NEM SEUS APOIADORES.
A diferença entre recaída e lapso
Nas duas situações, o dependente em recuperação fez o uso da droga, mas há uma distinção importante:
– o lapso é, quando em situação de oportunidade, o dependente usa a droga, seja em grupo, em uma festa, em qualquer evento, em uma situação de tristeza ou depressão, mas imediatamente ou um pouco depois percebe e reconhece que cometeu uma falha e não dá continuidade ao uso. A identificação do lapso se dá por essa interrupção do uso, ainda que tenha sido por duas ou três vezes.
– a recaída fica caracterizada pela retomada de uso contínuo da droga, por uma semana, um mês, e assim por diante.
Em ambos os casos, a situação deve ser acompanhada por um médico, um terapeuta, conselheiro, ou grupo de apoio para reconhecer se foi lapso ou recaída, para tomar as providências mais adequadas.
O DEPENDENTE PODE RECAIR, MAS SE ARREPENDER E PARAR EM SEGUIDA DE USAR. ISSO É LAPSO.
10 Coisas que você NUNCA deve fazer em uma relação com o dependente químico
1 – Negar ou minimizar os problemas causados pelo abuso de droga na relação do dependente com as pessoas que lhe são próximas;
2 – Negar ou minimizar o profundo impacto emocional que a dependência está causando a familiares, amigos e colegas de trabalho;
3 – Pensar que as outras pessoas não sabem da difícil situação enfrentada pelo dependente, por familiares e outras pessoas próximas;
4 – Pensar que as coisas mudarão num passe de mágica;
5 – Tentar controlar o uso de droga do dependente;
6 – Inventar desculpas e/ou proteger o dependente das consequências de suas próprias ações;
7 – Dar um ultimato para rompimento da relação ou separação sem que isso de fato vá acontecer. Diga o que você pensa, mas evite recriminações, ataques, e se for o caso, não diga nada;
8 – Permitir ser manipulado, controlado ou provocado pelas ações do dependente; seja proativo, não reativo;
9 – Permitir que o dependente faça você sentir-se responsável pela sua forma de uso de droga, ou pelos problemas derivados do uso;
10 – Acreditar nas promessas de mudança do dependente a menos que haja prova concreta.



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