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1 – Entenda a doença

  • 6 de set. de 2023
  • 6 min de leitura

Atualizado: 4 de out. de 2023



Para começo de conversa, a dependência química é uma doença. Precisa de tratamento. Essa consciência é fundamental para avançar e ter sucesso na jornada da recuperação.


O que é


É uma doença crônica, não acontece da noite para o dia, tem evolução lenta e gradual. O uso de álcool e outras drogas se torna compulsivo, sem controle, provoca mudanças no comportamento e nas atitudes do dependente.


O usuário perde o controle não apenas sobre o consumo de drogas, mas sobre a sua vida, sua saúde, seus relacionamentos, amigos, horários e trabalho.


NÃO É DESVIO DE CARÁTER

NÃO É MÁ-VONTADE.

É incapacidade de superar a doença

O dependente precisa de compreensão e ajuda para se livrar das drogas


A evolução da doença


Uma pessoa começa no mundo das drogas pelas substâncias legalizadas, como o álcool, tabaco e medicamentos. Elas são a porta de entrada, porque estão mais acessíveis, muitas vezes dentro de casa.


Depois de ter contato com essas drogas, o usuário pode evoluir para as que são proibidas, ilícitas, como o crack, a cocaína e a heroína.


A pessoa começa com um uso leve, esporádico e controlado de drogas de entrada (álcool, tabaco, medicamentos), sem interferência no seu dia a dia.


Depois de algum tempo, ela passa a usar com mais frequência e maiores quantidades, e sem muito controle. Nessa fase, problemas começam a surgir em sua vida pessoal, social e profissional. É o estágio do abuso.


O estágio seguinte é a dependência, o mais grave no envolvimento com as drogas. O uso é compulsivo e sem controle, o dependente vive para as drogas e num mundo à parte, rompe seus vínculos sociais, se isola.


A GRANDE MAIORIA DOS DEPENDENTES DE ÁLCOOL NÃO SABE QUE É NEM SE CONSIDERA UM DEPENDENTE

A negação dificulta o diagnóstico e tratamento


Por que as pessoas começam a usar drogas


São muitos os motivos, variam de acordo com a história e o modo de vida de cada pessoa.


O importante é saber que o usuário terá recompensas com as drogas, seja um prazer, um bem-estar, sentir-se mais encorajado, mais produtivo, ter o alívio de dores.


O que o dependente não sabe e nem quer saber, é que esses benefícios trarão prejuízos mais à frente muito maiores à sua vida. É questão de tempo.


Conheça os principais motivos:


1 – Busca do prazer, de um excitamento ou bem-estar. Ao alcançar esse estado, a tendência é repetir a experiência e dar sequência ao uso.

2 – Fuga dos problemas, de um estado de pressão, ou para obter um relaxamento. Ter o resultado esperado leva ao uso continuado.

3 – Aceitação social, inserção a grupos. Também como tentativa de evitar ser excluído da turma, em que o convívio é agradável, pela conversa e com mesmos interesses.

4 – Performance no trabalho ou alguma atividade física. Há quem se sinta mais produtivo, criativo, que trabalhe mais tempo e com resultados melhores com uso da maconha, cocaína e de anfetaminas.

5 – Hábito, usar drogas com amigos pode se tornar um costume, sempre no mesmo local, no mesmo horário, do mesmo jeito, em uma atividade compartilhada

6 – Tratamento médico. A sensação de alívio, redução de dor, sofrimento, melhora de sua condição física, proporcionadas por medicamentos podem levar ao uso continuado e à dependência.

7 – Estímulo religioso. Há religiões, seitas, que incentivam o uso de drogas em experiências diferenciadas, permitidas legalmente. Na Santo Daime há o uso da ayahuasca, bebida que modifica a consciência.

8 – Questões culturais. Usar drogas pode ser um costume social, do meio em que o usuário vive, uma imitação do coletivo. Vai no embalo dos outros: “todo mundo fuma maconha, também vou fumar


Porta de entrada do jovem

A curiosidade para saber o que é, experimentar, é uma das razões mais comuns para o jovem entrar nas drogas.


A contestação também pode levar o jovem às drogas. Uma forma de ir contra as condições, as leis, impostas pela sociedade.


O jovem também se sente forte e costuma desafiar os perigos. Pensa que é imune e nada de mal vai lhe acontecer: “Falam que as drogas fazem mal, mas comigo vai ser diferente.


AS DROGAS TRAZEM RECOMPENSA AO USUÁRIO

Não diga a um dependente que “a droga faz mal”. Mostre que entende que há benefícios imediatos. Sempre bata na tecla de que é uma questão de tempo para ele perder o controle sobre sua vida.


Por que é difícil sair das drogas


Algum benefício o usuário vai experimentar com as drogas e por isso vai continuar com elas.


Trata-se de um sistema de recompensa do cérebro, que registra e grava a sensação de prazer, de alívio de pressão ou de dor, de firmeza para se relacionar e quer repeti-la.


Por isso, mesmo já sentindo na pele os danos trazidos pela droga em sua vida, o dependente não consegue, não tem força, para deixar de usá-la.


O DEPENDENTE SENTE OS EFEITOS IMEDIATOS, QUE SÃO POSITIVOS DA DROGA. As consequências desastrosas parecem distantes ou até inexistente. Nessa gangorra, a droga tende a vencer.


Sempre a negação


A negação é uma constante na vida do dependente. Ele nega:

  • que está usando drogas

  • que elas estejam lhe prejudicando

  • que a situação ficou fora de controle

  • que não consegue parar quando bem entender

  • que precisará de ajuda para largar as drogas

  • que os tratamentos funcionam e poderão lhe ajudar


Pior é a negação vivenciada pelas famílias: negam que o filho (a) esteja usando, que seja um dependente, ou que tenha recaído.


A NEGAÇÃO DA SITUAÇÃO DE DEPENDÊNCIA PREJUDICA O PROCESSO DE RECUPERAÇÃO, ELA ADIA AS SOLUÇÕES.


Como fazer o diagnóstico


Em alguns casos, a dependência é tão evidente, o usuário já está tão dominado pelas drogas, que não há necessidade de testes para chegar a diagnósticos.

O dependente não consegue mais exercer suas funções regulares no trabalho, na escola, em casa mesmo. Torna-se agressivo, tem o comportamento muito alterado.


Em casos iniciais, é preciso observar mudanças no modo de ser e de viver da pessoa.

Sinais reveladores:

  • Mais Sonolento

  • Dormindo menos

  • Mais agitado

  • Mais irritado

  • Estar indo mal na escola

  • Tendo problemas no emprego

  • Recebendo reclamações de pessoas fora de seu convívio

  • Demonstrando desleixo com a aparência

  • Tendo saídas inadequadas, inconvenientes


Em caso de dúvidas, consulte um médico, um psicólogo, algum coordenador em grupos de mútua ajuda.


O problema pode ser outro e bem mais simples, como uma paixão, uma preocupação, um momento de vida ruim, a perda de pessoas queridas, entre outros.


O DEPENDENTE PODE NEGAR O USO, O ABUSO OU A DEPENDÊNCIA. Ele é hábil em construir cenários falsos, de ser muito convincente para a família ou amigos ao afirmar que nem chega perto das drogas.


Faça os testes


Há alguns testes que podem ajudar a identificar o estágio de dependência do usuário.


A dependência ao álcool, por atingir um número bem maior de pessoas, vem sendo estudada amplamente e há mais tempo. Por isso, há uma série de testes voltados para a identificação de dependentes alcoólicos, mas que podem ser aplicados a dependentes de outras drogas.


Um conjunto de seis questões abaixo aborda aspectos sobre o uso de drogas, como necessidade, controle, sinais de abstinência, tolerância, relevância e continuidade do uso em detrimento de prejuízos para a saúde.


Faça essas perguntas ao usuário, se a resposta for afirmativa em, pelo menos, três delas, há sinais de que ele requer atenção médica e deve ser encaminhado para diagnóstico especializado.


As seis questões

As seis questões devem ser consideradas para a vivência da pessoa no período do último ano.


1 – Teve um desejo forte ou senso de compulsão para consumir a substância?

2 – Sentiu dificuldades em controlar o comportamento de consumir a substância, a hora de começar ou de parar de usá-la? Ou ainda nos níveis de consumo?

3 – Entrou em estado de abstinência fisiológica quando interrompeu ou reduziu o uso? Precisou usar a mesma substância ou outra intimamente relacionada para aliviar ou evitar os sintomas de abstinência?


4 – Criou tolerância à droga, de tal forma que foram necessárias doses cada vez maiores para alcançar os mesmos efeitos que eram inicialmente produzidos com doses mais baixas?


5 – Houve abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos da vida em favor do uso da droga? Houve um aumento do espaço de tempo necessário para obter e tomar a droga ou recuperar-se dos seus efeitos?

6 – O usuário continuou e persistiu na droga, mesmo conhecendo as consequências nocivas a sua saúde com o uso excessivo, tais como: danos ao fígado e comprometimento do funcionamento cognitivo?


Questionário Cage


Outro questionário amplamente conhecido e usado na identificação da dependência do álcool é conhecido como CAGE. De forma diferente ao CID-10/11, ele expõe as mesmas questões.


Nesse questionário, se duas das respostas forem afirmativas a indicação é de abuso ou dependência do álcool, e o usuário deve ser encaminhado para tratamento.


O CAGE é um acrônimo, formado pelas letras iniciais de palavras em inglês, de situações com que o dependente se depara:

  • Você tentou cortar (CUT) a quantidade de álcool que vinha usando?

  • Você e sente incomodado (ANNOYED) quando falam sobre a sua forma de beber?

  • Você se sente culpado (GUILTY) com as consequências do seu beber?

  • Você já teve que beber, pela manhã (EYE OPENNER), para diminuir o nervosismo ou a ressaca?

 
 
 

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