Doenças do fígado: nada substitui a abstinência
- há 11 horas
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O fígado é o principal órgão responsável pela metabolização do álcool em nosso corpo. “Quando a pessoa bebe, a maior parte do álcool é transformada em acetaldeído, uma substância altamente tóxica", explica o médico Roberto de Carvalho Filho, do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa).
"O excesso de NADH, produzido na oxidação do etanol, inibe a degradação de ácidos graxos e estimula o acúmulo de gordura — é assim que surge a esteatose hepática, primeira fase da doença do figado por álcool, há ativação de células inflamatórias e liberação de citocinas", complementa.
Nem toda pessoa que bebe muito desenvolve lesões hepáticas graves. A evolução depende da quantidade, da frequência e da duração do consumo, além de fatores genéticos e ambientais. Histórico familiar de cirrose por álcool e a associação com certas condições, como diabetes, obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia e tabagismo, aumentam o risco de desenvolvimento de cirrose e de suas complicações. Assim, mesmo pequenas quantidades regulares de álcool, quando associadas à síndrome metabólica, podem acelerar esse processo.
O tratamento: abstinência é a base!
Nenhum medicamento substitui o efeito da abstinência completa. Ela é o principal fator associado à melhora clínica e à redução da mortalidade. Em um estudo austríaco com 320 pacientes com cirrose, acompanhados por três anos, aqueles que conseguiram parar de beber tiveram sobrevida significativamente maior do que os que continuaram a ingerir álcool.
A abstinência, porém, raramente é simples. “Exige suporte contínuo, psicoterapia e, muitas vezes, uso de medicamentos para controlar o desejo e prevenir recaídas. As intervenções psicoterápicas são parte essencial do tratamento", diz Carvalho Filho.
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