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A tragédia das Bets: a luta de uma mãe contra a jogatina online

  • há 11 horas
  • 2 min de leitura


Rafael Borges Amaral, de 26 anos, morava em Uberlândia (MG) e trabalhava em um lava-jato. Ele perdeu a vida após contrair dívidas em razão do vício em apostas esportivas online, tornando-se um símbolo da tragédia das Bets.


Desde então, sua mãe, a professora Vânia de Souza Borges, luta para que empresas e influenciadores digitais sejam responsabilizados pela divulgação dessas plataformas. Em entrevista à Agência Pública, ela afirmou que muitos criadores de conteúdo vendem a falsa ideia de enriquecimento por meio das apostas, quando, na realidade, são remunerados para promovê-las.


Segundo a mãe, Rafael era um jovem responsável, que guardava dinheiro pensando no futuro. No entanto, acabou desenvolvendo dependência em jogos de apostas, passou a vender seus bens para continuar jogando e mudou completamente o comportamento.


"Todos nós tentamos muito conversar com ele. Às vezes, eu acordava no meio da noite, ele estava jogando, eu ia lá, chorava, pedia para ele sair do computador, porque eu tinha certeza que aquilo era fraude", relatou Vânia.

Em março de 2024, Rafael tirou a própria vida.


Após a morte do filho, Vânia passou a defender mudanças na legislação e a cobrar investigações sobre campanhas publicitárias que, em sua avaliação, estimulam comportamentos de risco entre jovens e pessoas vulneráveis. Para ela, influenciadores que recebem para promover plataformas de apostas não podem ser vistos apenas como peças de publicidade, mas também devem responder pelas consequências sociais dessas campanhas.


PL Rafael: a lei que pode mudar o jogo


Em julho, foi apresentado o projeto de lei conhecido como PL Rafael, que propõe responsabilizar influenciadores, afiliados, anunciantes e operadores de apostas por eventuais danos causados aos consumidores.


A proposta também pretende proibir contratos que remunerem divulgadores com base nas perdas financeiras dos usuários indicados por seus links, prática conhecida como revshare.


Reportagens e pesquisas recentes também apontam que a ampla divulgação das Bets em patrocínios esportivos, programas de TV e redes sociais tem aumentado as preocupações com endividamento, dependência e saúde mental.


Para Vânia, transformar a dor em luta é uma forma de preservar a memória do filho e evitar que outras famílias passem pela mesma tragédia.

 

“Eu quero que isso, de alguma forma, ajude a evitar que isso venha a acontecer com outras pessoas, porque está acontecendo. Não dá para fechar os olhos e achar que não está", afirmou à Agência Públi


Centro de Valorização da Vida (CVV)


O CVV oferece atendimento gratuito, confidencial e sem julgamentos. Você pode conversar com um voluntário ligando para o número 188, disponível 24 horas por dia.


🌐 Acesse agora: https://vocetemsaida.com.br


 
 
 

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